Navegador Solitário Ricardo Diniz

Os Portugueses, felizmente e finalmente, começam a perceber o quão ridículo é tratarmos pessoas por títulos como Doutor ou Engenheiro.

Então e os carpinteiros e os pintores, os pasteleiros e os pescadores? Perdemos demasiado tempo e fluidez com estas coisas. Há que focar no essencial e sermos mais práticos.

Além de boa saúde e ter nascido num país lindo chamado Portugal, fui brindado com outra grande sorte: aos 8 anos já sabia como queria viver a minha vida. Consistente e fiel a esses primeiros momentos filosóficos, as minhas prioridades passam por ter tempo para quem precisa, sejam família, amigos ou desconhecidos até.

Construí uma vida simples que me permite ser livre. Mas não me estou a referir a dinheiro. O foco nunca foi nem nunca poderá ser dinheiro. Quando temos a coragem de seguir o nosso coração, escutar mesmo o que ele nos diz, coisas boas acontecem, pois nesse momento estaremos a viver a nossa mais pura essência e verdade.

Vida de navegador

Como navegador solitário, desenvolvo há 20 anos missões para promover Portugal no mundo através do Mar.

Sou um homem de projectos e dedico muitas horas ao que faço com muita entrega é Amor. Não tenho emprego. Tenho sim sonhos e objetivos e dou o máximo para os atingir. Às vezes consigo. Outras não. Mas se acredito, avanço. Sempre. E com a clara noção de que nunca será possível controlar tudo nem ter certezas em relação ao sucesso da empreitada. Os bravos marinheiros das Caravelas deram novos mundos ao mundo sem saberem o que estava para lá do horizonte. Irresponsáveis? Loucos? Heróis? Aqueles homens eram movidos a Fé e ambição! A coragem vem depois.

Fiz o Lisboa – Dakar à vela sozinho ao mesmo tempo que o Rali, levei uma garrafa de Vinho do Porto para os 80 anos da Rainha de Inglaterra para celebrar a Aliança mais antiga da história, naveguei todo o perímetro da Zona Económica Exclusiva do Mar de Portugal para reforçar a importância estratégica do nosso imenso Mar, fui sozinho à vela até ao Brasil com uma garrafa cheia de mensagens de apoio, impressas em papel de cortiça para entregar aos nossos rapazes no Mundial de Futebol – sempre a elevar a nossa bandeira bem alto, cheio de orgulho em ser Português.

Também por isso levo a Cruz de Cristo pintada na proa do nosso veleiro, num simples tributo ao nosso glorioso passado e para nunca me esquecer, em especial nos momentos mais duros (e são tantos…), que a minha maior sorte e vantagem competitiva é ser de um país chamado Portugal.

Ricardo Diniz – navegador solitário